Datas: 1757.07.09 - Mandado de Deus

9 de Julho de 1757 (Sábado)

  • Por volta das 23 h e 45' sentiu-se um forte sismo com a duração aproximada de 2'

10 de Julho de 1757 (Domingo)

  • Pela manhã são visíveis os estragos:
    da ponta do Topo até à Calheta não se acha uma casa em pé; grandes derrocadas originaram o surgimento de 18 ilhotas.
  • Cerca das 10 horas novo sismo.
  • Cerca das 16 horas novo sismo.

    No Topo:
    • 125 mortes. Tendo um cadáver sido sepultado na igreja, 84 em duas valas abertas no adro da Matriz e 40 foram sepultados nas ruinas.
    • Câmara envia barco a Angra a participar o acontecimento.
    • Câmara envia barco com procurador do concelho e escrivão da Câmara, a tomar posse das novas fajãs formadas pelas derrocadas.
    Na Fajã de São João
    • Grandes derrocadas.
    • Passados três dias ainda se ouviam gritos de vítimas soterradas.
    Na Ribeira Seca
    • Grande destruição.
    • 452 mortes.
    Na Fajã dos Vimes
    • Igreja e todas as habitações demolidas.
    Na Calheta:
    • 135 mortes.
    • Todos os edifícios arrasados
    No Norte Pequeno:
    • Aparecimento das "Arregoas".
    • Diversos edifícios arrasados
    No Concelho das Velas:
    • Alguns templos arruinados.
    • Diversas casas destruídas.
    • 2 mortes no Norte Grande.
  • 1034 mortes

"Memoria do castigo que o Altissimo Deos Senhor Nosso mandou a esta Ilha de Sam Jorge por castigo das culpas dos moradores da mesma Ilha em os nove de Julho de 1757 ás onze para as doze da noute amanhecendo para o Domingo que se contavam dez do mesmo mez.
Foi castigada esta Ilha em o dia de Sabbado á noute ás horas acima ditas com grande terremoto que nesta villa sómente arruinou os templos e casas ficando illesos da morte os moradores della pela divina Misericordia do Altissimo Deos, mas para nos mostrar os grandes favores e a grande misericordia que uzou com nosco este divino juiz foi descarregar o golpe da divina justiça em as villas da Calheta e Topo e nos montes, ficando arrasada a villa da Calheta sem que ficasse sómente huma casa, nem aonde se arrecolhesse o Santíssimo Sacramento pois o tem em o campo debaixo de umas arvores; e na villa do Topo succedeu o mesmo e sómente ficou huma ermida da Virgem Nossa Senhora da Ajuda bem arruinada, e não ficou casa alguma, e fazendo juizo prudente e averiguação a respeito dos mortos que padeceram debaixo das ruinas dizem que em toda a Ilha falleceram nove centas pessoas, que permita a Divina Misericordia de Deus estejam todas á sua sancta vista; e para que haja lembrança do castigo e emenda nos vicios pelo tempo adiante e no presente me resolvi a expressalo em este Livro por ser o mais publico (…). De que fiz esta lembrança que me assigno aos 19 de Julho de 1757 - Eu Gaspar Gonçalves Boto, escrivão da Camara o escrevi. G.G.Boto. Declaro que feita averiguação de novo sabe-se que falleceram mil e trinta e quatro pessoas, eu sobredito escrivão que o escrevi.

(livro 3.º do Reg. da Camara da villa das Velas, fol. 25 v.º)"

Bibliografia consultada:

ARQUIVO DOS AÇORES volume IV, pag. 353.
Edição da Universidade dos Açores
Ponta Delgada - 1981
(de onde se extraíram as citações)

Cunha, M. A. - NOTAS HISTÓRICAS
Edição da Universidade dos Açores
Ponta Delgada, 1981.

   

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