Crise Sísmica de 1964

15 de Fevereiro de 1964 (Sábado)

16 de Fevereiro (Domingo)

  • Durante a madrugada e manhã sentem-se muitos sismos.
  • Verifica-se uma acalmia a partir das 9 h.

17 de Fevereiro (Segunda-Feira)

  • Mau tempo com vento forte, trovoada e queda de granizo.
  • Sismos de forte intensidade a partir das 5 h.
  • Pessoas que tinham regressado a casa (Toledo, Ribeira do Nabo e Urzelina) são de novo evacuadas para as Velas, verificando-se, casa a casa, que não fique ninguém atrás.
  • Muita gente da Beira, Serroa e Rosais vem para as Velas.
  • Na sequência de transmissão, pelo Rádio Clube de Angra, do parecer do Tenente-Coronel José Agostinho, aguarda-se o surgimento de erupção vulcânica na zona do Pico da Esperança.
  • Situação agrava-se ao anoitecer.

18 de Fevereiro (Terça-Feira)

  • Mar tempestuoso.
  • 1 h 25': sismo forte (parte loiça e abre fendas nas casas).
  • 6 h 30': sismo forte danifica quase todas as casas das Velas.
    Muitas derrocadas em Rosais e Velas.
  • 10 h 20': sismo forte com epicentro nas Velas.
    Decide-se a evacuação das Velas.
    Lança-se SOS via rádio.
  • 13 h 30': chega à baía das Velas:
    a lancha "Espalamaca", vinda da Horta.
    navio inglês "Remuera".
  • Ordem para embarcar mulheres, crianças e velhos.
  • "Espalamaca" encosta e toma passageiros, partindo para o Faial.
  • "Remuera", utilizando baleeira, desembarca oficial (Imediato?).
  • Mar torna impossível o embarque. Navio segue para a Calheta deixando o oficial em terra.
  • Procede-se à evacuação de 6088 pessoas de Velas para Santo António.
  • 16h: transporte de evacuados de Santo António para a Calheta.
  • 16h 30': grande afluxo de pessoas à vila da Calheta.
  • Inicia-se a evacuação para a Terceira de aproximadamente 1030 pessoas, transportadas nas baleeiras salva-vidas dos navios que acorreram ao SOS e ao largo da Calheta os recolhem:
    "Remuera" "Segvik" "Plaviola"
    "Mirror" "Vestan" "Clyde Ore"
    "Steel Director" "Parhin" "Salina"

19 de Fevereiro (Quarta-Feira)

  • Chegam navios com evacuados a Angra do Heroísmo
  • Chegam navios com evacuados à Praia da Vitória
  • "NRP Santa Luzia" chega à Calheta transportando "uma brigada de técnicos dos CTT para o restabelecimento das comunidações com o exterior e um destacamento de infantaria sob o comando do Tenente Luís Riquito para os serviços de polícia militar e outros (...)".
  • "Funchal", que navegava da Madeira para os Açores, avaria em Ponta Delgada.

20 de Fevereiro (Quinta-Feira)

  • "Girão", na baía de Angra do Heroísmo, aguarda melhoria de tempo.
  • Estão 5.000 pessoas do Concelho das Velas na Calheta e arredores.
  • Nas Velas os edifícios dos Celeiros e Alfândega estão incólumes. Metade das casas necessitam de pequenas reparações.
  • Foram buscar, aos armazéns das Velas, 20 sacos de farinha
  • 16 h 25': três sismos fortes.
  • Rosais fica por terra. Retira-se milho de entre as ruínas.
  • Em St.º Amaro, Ribeira do Nabo e Urzelina ruíram os palheiros. 10% das casas têm prejuízos. Toledo com 50% das residências avariadas.
  • São localizados epicentros no mar, junto à ponta dos Rosais.
  • Estão no Topo cerca de 1.000 sinistrados.
  • Coze-se pão na Urzelina.
  • "Girão" sai, à noite, com 8.000 pães e 180 sacas de farinha.
  • 21 de Fevereiro (Sexta-Feira)

  • "Girão"descarrega na Calheta 615 caixas de leite em pó.
  • Navio "Mirror" descarrega 2000 pães que transportou da cidade da Horta.
  • 15h 15': Sismo de grande intensidade (~8 - 9)
  • 22 de Fevereiro (Sábado)

    • Cerimónia religiosa na Sé de Angra

    23 de Fevereiro (Domingo)

    • Limpeza e verificação de estradas e pontes.

    24 de Fevereiro (Segunda-Feira)

    • Transportados pelo "Navio Patrulha Santa Luzia" chegam diversos jornalistas de Lisboa e uma brigada da Rádio Televisão Portuguesa.
    • 20h: Sismo.
    • "Ponta Delgada" vindo de Lisboa, deveria ir para a baía de Angra, a fim de estabelecer a ligação com S. Jorge, mas teve uma avaria nas máquinas e ficou em S. Miguel.

    25 de Fevereiro (Terça-Feira)

    • Vento ciclónico, com rajadas de 120 km/h, chuvas torrenciais.

    26 de Fevereiro (Quarta-Feira)

    27 de Fevereiro (Quinta-Feira)

    • Regressam habitantes a Fajã de Santo Amaro, Queimada e Toledo.
    • Destacamento militar monta 35 tendas junto à Igreja de Rosais.
    • Inventário provisório, elaborado pelo Eng. Melo, revela existirem em Rosais, Velas e Santo Amaro mais de 900 habitações em ruína.

    28 de Fevereiro (Sexta-Feira)

    29 de Fevereiro (Sábado)

    1 de Março (Domingo)

    • Partiu para S. Jorge o "Ponta Delgada" levando 45 dos sinistrados que estavam na Terceira. Não conseguiu fazer serviço em S. Jorge e seguiu para a Horta.
    • Velas, que fora visitada quotidianamente, reinicia a sua actividade o mais normal possível com a abertura do comércio, reinício do fabrico de pão, restabelecimento do fornecimento de energia eléctrica e água aos domicílios habitáveis.

    2 de Março (Segunda-Feira)

    3 de Março (Terça-Feira)

    • A Caixa Económica de Angra, que foi fundada há 118 anos, fez Assembleia Geral no dia 1. Teve um lucro de 503 contos e deu 10 contos para auxiliar a reconstrução.

    4 de Março (Quarta-Feira)

    • Reabertura de todos os Serviços Públicos existentes nas Velas.

    5 de Março (Quinta-Feira)

    • Velas tem 300 habitantes.

    6 de Março (Sexta-Feira)

    • 6 h 30': Forte sismo sentido em Rosais.
    • Estão nas Velas cerca de 500 pessoas.
    • "Lima" escala as Velas devendo embarcar cerca de 350 cabeças de gado

    7 de Março (Sábado)

    • "Carvalho Araújo" segue para São Jorge levando algumas das pessoas anteriormente evacuadas.
    • Já se iniciou a recuperação da normalidade embora se continuem a sentir alguns sismos de fraca intensidade.
    • Velas recebe a visita do Ministro do Interior (Dr. Alfredo Rodrigues Santos Junior), do Ministro das Obras Públicas (Eng. Eduardo Arantes de Oliveira) e do Governador Civil do Distrito da Horta (Dr. António Freitas Pimentel), que percorrem as zonas sinistradas e, de tarde, embarcam para Angra do Heroísmo na Fragata Corte Real", acompanhados pelo Presidente da Câmara de Velas, Dr Sá.
       

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