Ribeira Seca: Fajã da Caldeira

Talvez a mais famosa e emblemática fajã de S. Jorge, foi até ao sismo de 1 de Janeiro de 1980, uma povoação com 35 fogos habitados por 90 pessoas, ligadas ao resto da ilha por caminhos que obrigavam a cerca de uma hora de caminhada, 5 telefones particulares e um público. Mitigando o isolamento, as notícias do mundo chegavam via rádio ou televisão, alimentados por bateria ou gerador comunitário que produzia electricidade das 18 às 23 horas. Os abastecimentos que vinham do exterior eram para cozinhar, o fogo era produzido por lenha, proveniente da encosta e trazida até à fajã em molhos que deslizavam por fios de ferro previamente instalados e de que ainda hoje alguns estão operacionais.

Hoje os habitantes permanentes não totalizam uma dezena, mas nem por isso diminuiu o interesse por esta Fajã possuidora de uma bela lagoa, cada vez menor e em vias de desaparecer rapidamente se o Homem continuar a "deixar andar", único local dos açores onde existe uma colónia apreciável de amêijoas.
Sua ermida dedicada a Santo Cristo foi aberta ao culto em 10 de Novembro de 1835, sendo consideravelmente ampliada em 1876. Hoje os poucos habitantes da Fajã têm por hábito reunirem-se ao Domingo, nesta ermida, para ouvirem e participarem nas cerimónias religiosas que seguem por rádio colocado na altar. Continua-se a celebrar e com grande afluência de fieis, a Festa do Senhor Santo Cristo, no primeiro Domingo de Setembro.
Para a visita a esta fajã recomendo o façam a partir da serra do Topo, descendo pelo caminho de pé posto que passa pelas pastagens e Caldeira de Cima. O regresso deverá ser pelo caminho que passa pelas Fajã dos Tijolos, Fajã do Belo e Fajã dos Cubres. Assim poderão apreciar, na sua máxima extensão, a beleza paisagística que estas fajãs possuem.

   

© 1998-2012 BrŠulio Fonseca e Galaia - CSI

Ilha de São Jorge, Açores, Portugal